sábado, 9 de agosto de 2008

Conte me algo novo.

Apesar do medo pessoal de algo novo e desconhecido eu gostaria que alguém viesse e me contasse algo, realmente, novo. Irônico ter medo de algo que desejo, mas nem mesmo esse sentimento é novo.

É só olhar ao redor e ver, nada é novo, as pessoas discutem idéias repetidas com argumentos repetidos, palavras diferentes tomam o mesmo sentido que as anteriores.

Em nosso país política virou sinônimo de corrupção na mente das pessoas, a escravidão apenas deixou de ser distinção de cor, e todo mundo ainda espera pra ver, como sempre fizeram, pelo país do futuro que nunca chega, e que quando chegar vai ser apenas mais do mesmo.

O povo vive a mesma rotina de sempre, dentro de uma política de pão e circo, onde geralmente falta pão e sobra circo, acordar todos os dias no mesmo horário, trabalhar todos os dias no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas, chegar em casa na hora habitual, assistir às noticias da semana passada, com novos personagens e a mesma violência, assistir a nova novela do horário nobre, esperando com ansiedade falsa pela historia, que no fundo sabe ser a mesma que da última, e com a mesma falta de conteúdo, quando enfim chega à cama, e percebe com uma tristeza conforma, que até o sexo caiu numa rotina monótona.

O comodismo impera hoje até onde era repudiado, nas artes, todos os dias aparecem novas bandas, tocando musicas, umas iguais às outras, escolhidas a dedo pela gravadora que sabe muito bem o que é que o povo está acostumado a engolir, todos os dias um DJ escolhe uma música diferente pra se utilizar de tudo que já fez na noite anterior, para ver as mesmas pessoas dançarem, exatamente como fazem todos os finais de semana, para depois de terem tornado o hábito tão vulgar quanto o restante de seus atos no recinto, irem finalmente de volta para seus pequenos universos adolescentes, alienados de tudo que acontece ao seu redor, para segurança da prisão pessoal do bom salário de seus pais, sem voz e sem vez, e sem vontade de gritar.

Juventude revoltada não é algo novo, mas seria ao menos diferente, hoje a galera é muito consciente, não fumam maconha porque é crime, melhor pedir uma graninha pros pais para poderem pagar um whisky legal, nem para beber, apenas porque sobre a mesa ele atrai meninas tão interessantes quanto a unha do mindinho direito do gato da minha vizinha. E no outro dia então eles acordarão com ressaca enquanto se preparam para mais uma vibe muito foda.

Enquanto isso a gente segue reclamando do presidente, para depois dizer que é por isso que não gostamos de política, ainda então poderemos finalmente torcer para que o próximo que colocarmos no poder possa fazer algo pela multidão, e ele o fará, como é de hábito ele fará tudo que puder pela multidão de empresários, que financiaram um grupo de marqueteiros, para que estes então façam com que a multidão de eleitores acredite por mais alguns meses, para que depois tenham um novo período de frustração.


Onde estão as pessoas que um dia acreditaram em algo novo? Onde estão os que outrora lutaram por algo novo? Aonde foram os poetas que costuraram tantos sonhos em mentes que clamavam por liberdade?

Quando é que a galera das baladas vai querer novamente mudar o mundo? Não o umbigo, o mundo.

A geração anterior quis fazer do mundo um lugar melhor, a geração atual quer que o mundo se foda.

Povo sem voz.
Juventude sem vontade.
Políticos e Empresários sem escrúpulos.

Quem é que vai me contar algo novo assim?

3 comentários:

bruna disse...

será que NÓS não podemos fazer algo novo assim?

Adriano disse...

Hoje estamos vivendo sem duvida uma crise de criatividade, até de atitude e opinião.
As pessoas preferem "pensar" que temos direitos iguais, e olham para o vizinho e o amigo que não fazem absolutamente nada para mudar o meio em que vivem, e a a sua conciencia moral lhes diz, "se ele não faz, porque eu terei que fazer".
Realmente é de se perguntar, onde foi parar o espirito revolucionario e libertador que nossos antepassados tinham.

Jaqueline disse...

Brilhante! Um poeta ativista!Fale em politicagem, mas fale também em política, não vamos confundir as duas coisas! Procure um jornal impresso, publique crônicas, acho que sua veia é de cronista! Trabalhe sem parar, corrija sem parar, torne o texto sua obsessão...até dizer chega...e quando isto acontecer, parta para um texto novo,faça da escrita o seu vício, seja exigente consigo mesmo, jogue fora aquilo que achar ruim...geralmente quando vc acha ruim é porque realmente está! :)
Mas continue firme em seu processo de auto conhecimento enquanto poeta,porque vc o é... esta é uma verdade inquestionável!
Conte-me algo novo, ok? :)))